Nunca viajou de avião, tinha medo .
Um dia acordou com o avião na cabeça .
Your Lonely Heart
"Nada grandioso no mundo foi realizado sem paixão." (Georg Wilhelm Friedrich Hegel). Este blog fala de paixões, paixões que movem o mundo , que buscam o inalcançável , que nos causam dor ,que dizem quem somos. A paixão avassaladora dos que desejam sem pensar nas consequências... Porque eu escreveria algo diferente do que me move? Sou uma pessoa apaixonada , intensa,amo e odeio com a mesma intensidade e incoerência inexplicável. Apaixonem-se por este blog...traga consigo a suspeita...
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Myself
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Ah... A paixão que é julgada sempre como frívola....
Por Literatura,Música,Arte,Fotografia ou Gastronomia, seja o que for...entre,leia e apaixone-se !
Ou deixe um pouco daquilo que te faz se apaixonar.
Obrigada pela visita!
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sábado, 4 de junho de 2011
Desesperança
Sigo a vida com essas asas que Deus me deu
Asas de papel e tinta
Tenho sempre os olhos rasos de lágrimas
E frente a incompreensão do mundo nada temo
Tomo ainda cuidado com as gotas de chuva.
Sol demais pode ainda fazer arder em chamas minhas asas
Asas de papiro e esperança
Frágil, transparente e translúcida
Visível,incolor , insabor...
Asas de papel e tinta
Tenho sempre os olhos rasos de lágrimas
E frente a incompreensão do mundo nada temo
Tomo ainda cuidado com as gotas de chuva.
Sol demais pode ainda fazer arder em chamas minhas asas
Asas de papiro e esperança
Frágil, transparente e translúcida
Visível,incolor , insabor...
O que é o amor?
Um pedaço de papel, uma lembrança e um punhado de saudades ....
Um livro surrado;
Uma foto amarelada;
Uma casa de amplos janelões pintados de branco,
Meu irmão matando os pintinhos do sítio de tanto abraçá-los;
Minhas irmãs e a primaiada toda brincando de pique;
As hortênsias azuis do meu avô;
O balanço feito de madeira;
Os cata-ventos presos habilmente com pedacinhos de casca de laranja.
As pokans do quintal do Vô Chico,
Os discos de vinil, as toalhas de crochê coloridas e as roseiras;
As tubaínas, os chicletes com figurinhas autocolantes e as notas de 10 cruzeiros dadas enroladinhas de presente de aniversário.
Os passeios no clube , o escorrega em formato de foguete,
Engraçado...nunca fui até o mais alto;
O bolo de cenoura com cobertura de chocolate que ninguém faz melhor do que a minha mãe;
As borboletas ,as codorninhas,a horta com as couves gigantes e a escada de madeira;
O meu pai gritando para escovar direito os dentes e limpar muito bem as orelhas.
O amuleto que a minha avó traz junto ao peito; presente do Vô Candido.
O amor é muitas coisas, e está presente em todos os pedacinhos da minha vida,
Aprendi que o amor demais dói, deixa saudades e tantas marcas que no fim acho que o coração fica parecendo uma colcha de retalhos.
Candido é o amor e a saudades
Que pena que o tempo não volta mais...
Um livro surrado;
Uma foto amarelada;
Uma casa de amplos janelões pintados de branco,
Meu irmão matando os pintinhos do sítio de tanto abraçá-los;
Minhas irmãs e a primaiada toda brincando de pique;
As hortênsias azuis do meu avô;
O balanço feito de madeira;
Os cata-ventos presos habilmente com pedacinhos de casca de laranja.
As pokans do quintal do Vô Chico,
Os discos de vinil, as toalhas de crochê coloridas e as roseiras;
As tubaínas, os chicletes com figurinhas autocolantes e as notas de 10 cruzeiros dadas enroladinhas de presente de aniversário.
Os passeios no clube , o escorrega em formato de foguete,
Engraçado...nunca fui até o mais alto;
O bolo de cenoura com cobertura de chocolate que ninguém faz melhor do que a minha mãe;
As borboletas ,as codorninhas,a horta com as couves gigantes e a escada de madeira;
O meu pai gritando para escovar direito os dentes e limpar muito bem as orelhas.
O amuleto que a minha avó traz junto ao peito; presente do Vô Candido.
O amor é muitas coisas, e está presente em todos os pedacinhos da minha vida,
Aprendi que o amor demais dói, deixa saudades e tantas marcas que no fim acho que o coração fica parecendo uma colcha de retalhos.
Candido é o amor e a saudades
Que pena que o tempo não volta mais...
Ascendente em Peixes
Dizem os Astrólogos que quando se completa 30 anos a sua vida dá uma guinada , pois você não é mais regido pelo signo de seu nascimento ,mas pelo ascendente...
É engraçado que depois de tanto tempo fazendo poema até com o vento que sopra, parece que uma luz apagou .
Será que estou perdendo a fé?
Imersa em lembranças foi sempre assim que me vi e vivi , mas alguma coisa aconteceu e tudo mudou , um vendaval passou e eu continuei parada...parada... Perplexa.
Fechei a dor e as lembranças de quem eu era, e me peguei a pensar em quem eu gostaria de ser....
É maluquice eu sei ... Mas ainda estou trabalhando nisso.
Mas com a nova e mais legal eu , as vozes se calaram e o silêncio na minha mente permanece.
Sinto falta do papel,de olhar o céu ,de dirigir com as janelas abertas , de tomar um café mum bistrot qualquer e de sonhar.
É engraçado que depois de tanto tempo fazendo poema até com o vento que sopra, parece que uma luz apagou .
Será que estou perdendo a fé?
Imersa em lembranças foi sempre assim que me vi e vivi , mas alguma coisa aconteceu e tudo mudou , um vendaval passou e eu continuei parada...parada... Perplexa.
Fechei a dor e as lembranças de quem eu era, e me peguei a pensar em quem eu gostaria de ser....
É maluquice eu sei ... Mas ainda estou trabalhando nisso.
Mas com a nova e mais legal eu , as vozes se calaram e o silêncio na minha mente permanece.
Sinto falta do papel,de olhar o céu ,de dirigir com as janelas abertas , de tomar um café mum bistrot qualquer e de sonhar.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Para Viver Um Grande Amor - Vinicius de Moraes
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.
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